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- Aranim Media F A C T O R Y

29.05.2008 - por Margarida Santos Lopes -

- Os americanos apropriaram-se de Aladino, os japoneses de Sindbad e os árabes ficaram sem super-heróis. Mas agora têm dezenas - e um deles é Naar, um menino com poderes sobrenaturais num Médio Oriente sem petróleo e sem adultos. O seu criador, Suleiman Bakhit, é um Jordano que ambiciona criar uma Disneylândia árabe.
E tudo começou com um ataque racista nos Estados Unidos...

Numa quarta-feira à noite, três meses depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, Suleiman Bakhit regressava ao campus da Universidade do Minnesota depois de fazer algumas compras. "Quatro tipos brancos saíram de um bar", conta ao P2, por telefone, a partir de Amã, capital da Jordânia, onde nasceu, vive e trabalha. "Olharam para mim e reconheceram-me. Eu era presidente da Associação de Estudantes Estrangeiros e participava em muitas acções de campanha contra actos de racismo. Começaram a insultar-me: "Fuck the arabs!". Bateram-me com uma garrafa e envolvemo-nos numa rixa."
O rosto e o pescoço de Bakhit tiveram de ser submetidos a operações plásticas para "disfarçar as cicatrizes". Hoje ostenta as marcas dos quase 300 pontos das cirurgias, com a mesma vaidade com que exibe as tatuagens. Vingou-se? "Vinguei-me à minha propria maneira", diz, sem que a voz, num inglês fluente, denuncie azedume. "Peguei numa experiência negativa e transformei-a numa positiva. Se eu fosse espancar miúdos americanos não ganhava nada com isso."
O que fez então Bakhit, na altura com 25 anos? "Havia um programa chamado International Classroom Connection", conta. "No primeiro aniversário do 11/9, em 2002, fui convidado a ir falar a várias escolas, com meninos e meninas, dos seis aos oito anos. Expliquei-lhes que a minha cor de pele, a minha religião [muçulmana] e até a minha comida eram as da maioria das pessoas no Médio Oriente. Mas, tal como nem todos os brancos são do Ku Klux Klan (KKK), nem todos os árabes são da Al-Qaeda. Um dia, numa aula, pedi-lhes que me olhassem e perguntei-lhes se tinham medo de mim. Murmuraram uns com os outros, depois disseram-me: "No. You are one of the good guys".
Numa dessas sessões, uma menina interpelou-o: "Vocês têm uma Barbie árabe? Tem um Superman árabe? Têm heróis?" Bakhit ficou em pânico. Sem palavras. Só pensava: "Oh, meu Deus, não temos super-heróis. Não temos cartoons árabes. Não temos as nossas histórias. Noventa por cento do que chega até nós vem do estrangeiro. Foi então que tive uma idéia, que nunca mais saiu da minha cabeça: preciso de arranjar heróis que sejam fonte de inspiração e de esperança para a juventude árabe. Quero ser o Walt Disney do mundo árabe, criar personagens fantásticas e uma Disneylândia, para mudar o modo como os árabes se vêem e os outros nos vêem."
Havia um problema: Bakhit nunca tinha desenhado. "Nem quando eu era miúdo peguei num lapis de cor", confessa. As interrogações eram muitas. "Como seria um herói árabe? Como seria um Batman ou um Superman árabes?"
O rosto e o pescoço de Bakhit tiveram de ser submetidos a operações plásticas para "disfarçar as cicatrizes". Hoje ostenta as marcas dos quase 300 pontos das cirurgias, com a mesma vaidade com que exibe as tatuagens. Vingou-se? "Vinguei-me à minha propria maneira", diz, sem que a voz, num inglês fluente, denuncie azedume. "Peguei numa experiência negativa e transformei-a numa positiva. Se eu fosse espancar miúdos americanos não ganhava nada com isso."
O que fez então Bakhit, na altura com 25 anos? "Havia um programa chamado International Classroom Connection", conta. "No primeiro aniversário do 11/9, em 2002, fui convidado a ir falar a várias escolas, com meninos e meninas, dos seis aos oito anos. Expliquei-lhes que a minha cor de pele, a minha religião [muçulmana] e até a minha comida eram as da maioria das pessoas no Médio Oriente. Mas, tal como nem todos os brancos são do Ku Klux Klan (KKK), nem todos os árabes são da Al-Qaeda. Um dia, numa aula, pedi-lhes que me olhassem e perguntei-lhes se tinham medo de mim. Murmuraram uns com os outros, depois disseram-me: "No. You are one of the good guys".
Numa dessas sessões, uma menina interpelou-o: "Vocês têm uma Barbie árabe? Tem um Superman árabe? Têm heróis?" Bakhit ficou em pânico. Sem palavras. Só pensava: "Oh, meu Deus, não temos super-heróis. Não temos cartoons árabes. Não temos as nossas histórias. Noventa por cento do que chega até nós vem do estrangeiro. Foi então que tive uma idéia, que nunca mais saiu da minha cabeça: preciso de arranjar heróis que sejam fonte de inspiração e de esperança para a juventude árabe. Quero ser o Walt Disney do mundo árabe, criar personagens fantásticas e uma Disneylândia, para mudar o modo como os árabes se vêem e os outros nos vêem."
Havia um problema: Bakhit nunca tinha desenhado. "Nem quando eu era miúdo peguei num lapis de cor", confessa. As interrogações eram muitas. "Como seria um herói árabe? Como seria um Batman ou um Superman árabes?"
- NAAR, O PRIMEIRO HERÓI
"Aquela menina desafiou a minha imaginação", lembra-se. "Fui à Internet à procura de diferentes estilos. Não sou um excelente desenhador, mas tenho boas ideias e encontrei pessoas com muito talento, como o brasileiro Edu, que me ajudaram. Faltavam-me dois semestres para acabar o mestrado em HRD, Human Resources Development, e precisava de tomar uma decisão. Se ficasse na América para acabar os estudos teria de arranjar um emprego na universidade. Mas já tinha desenvolvido algumas personagens e tive medo de perder a oportunidade de concretizar o meu sonho. Então, para viver esse sonho, desisti de acabar o mestrado, peguei no dinheiro que poupei (uns 50 mil dólares) e voltei para a Jordânia."
Foi aqui, em Outubro de 2006, que nasceu a ARANIM MEDIA F A C T O R Y - o nome combina as palavras "árabe" e "animação". E Naar foi o primeiro super-herói a emergir do storyboard de Suleiman. "O seu nome significa fogo", explica o criador. "Há muitos personagens no mundo ocidental que têm a capacidade de manipular o fogo. Eu quis fazer diferente. Segundo a mitologia árabe, há vários tipos de fogo. Naar tem o poder das sete chamas e não voa" (risos).
A história é sobre o Apocalipse num Médio Oriente sem petróleo, em 2050. Um grupo de miúdos acorda numa cidade escondida, por baixo das ruínas de Petra, património da humanidade, na Jordânia. "Sozinhos, sem adultos, eles descobrem que têm poderes sobrenaturais", relata Suleiman. "Vão ter de decidir o que fazer - se salvam este mundo ou não. Será que eles podem ser melhores do que nós fomos?"
A banda desenhada de Naar foi muito bem aceite pelo público. Testada em focus group, crianças ajudaram a definir o argumento. Êxitos foram também Mansaf e Ozi, personagens cujos nomes foram inspirados nos pratos nacionais da Jordânia ¬- o primeiro, carne de carneiro, cozinhada em molho jameed, espécie de iogurte, e servida com arroz, amêndoas e pinhões; o segundo composto de arroz e frango. "A resposta foi fenomenal", exulta Suleiman.
Foi aqui, em Outubro de 2006, que nasceu a ARANIM MEDIA F A C T O R Y - o nome combina as palavras "árabe" e "animação". E Naar foi o primeiro super-herói a emergir do storyboard de Suleiman. "O seu nome significa fogo", explica o criador. "Há muitos personagens no mundo ocidental que têm a capacidade de manipular o fogo. Eu quis fazer diferente. Segundo a mitologia árabe, há vários tipos de fogo. Naar tem o poder das sete chamas e não voa" (risos).
A história é sobre o Apocalipse num Médio Oriente sem petróleo, em 2050. Um grupo de miúdos acorda numa cidade escondida, por baixo das ruínas de Petra, património da humanidade, na Jordânia. "Sozinhos, sem adultos, eles descobrem que têm poderes sobrenaturais", relata Suleiman. "Vão ter de decidir o que fazer - se salvam este mundo ou não. Será que eles podem ser melhores do que nós fomos?"
A banda desenhada de Naar foi muito bem aceite pelo público. Testada em focus group, crianças ajudaram a definir o argumento. Êxitos foram também Mansaf e Ozi, personagens cujos nomes foram inspirados nos pratos nacionais da Jordânia ¬- o primeiro, carne de carneiro, cozinhada em molho jameed, espécie de iogurte, e servida com arroz, amêndoas e pinhões; o segundo composto de arroz e frango. "A resposta foi fenomenal", exulta Suleiman.
- MODERADOS VS. EXTREMISTAS
O ano passado, Bakhit pegou num herói Jordano e fez dele um super-herói. O tenente Muwaflaq al-Salti foi protagonista de uma das mais longas batalhas da história da aviação. Morreu quando o seu obsoleto Hunter foi abatido por um sofisticado Mirage israelita na guerra de 1967. Quase 50 mil exemplares foram impressos e distribuídos gratuitamente em jornais locais antes do lançamento oficial. Dias depois, estes desenhos estavam no mercado negro de Amã, a um dinar. Talvez a pirataria tenha atraído ainda mais fãs, porque a tiragem posterior (e legal) foi de 2,4 milhões de copias. Nada mau, num país e numa região onde não há tradição (nem posses) de comprar este tipo de publicações.

"As pessoas tendem a esquecer estes heróis e os jovens nem sequer os conhecem", realça Suleiman. "O meu objectivo é combater o extremismo, para contrariar ídolos como Abu Musab Al-Zarqawi [o assassinado líder da Al-Qaeda no Iraque, nascido na Jordânia], introduzindo figuras contemporâneas mais moderadas. Tento encorajar a juventude a tomar o seu destino nas proprias mãos. Quero encorajar valores positivos, como a tolerância, a perseverança, o trabalho árduo."
E nesta categoria, a dos que lutam por causas nobres, inscreve-se outro super-herói: Abu Khadija, um lendário pugilista Jordano que, desempregado e com os filhos doentes, se dedicou ao boxe para salvar a família. "Inspirei-me no Rocky, de [Silvester] Stalone, embora eu ache, sinceramente, que o meu trabalho é melhor", diverte-se Suleiman.
"Queríamos que fosse uma banda desenhada, mas apresentámos a ideia a alguns produtores, que gostaram dela e sugeriram um filme de animação. Encomendaram o argumento. Acabámos de fazer o primeiro esboço. Ainda precisa de alguns retoques. Talvez esteja tudo pronto no Verão, e depois vamos testar se as pessoas gostam."
Suleiman está entusiasmado com a perspectiva de vir a produzir "o primeiro filme de animação árabe". Lamenta que "os americanos tenham maltratado Aladino - um estereótipo tão diferente da história real" - e que os japoneses tenham transformado Sindbad, o marinheiro, "de uma figura comovente num tipo estupido". Mas não é Aladino e Sindbad que lhe interessam. "Isso é mitologia árabe antiga e já ninguém lhes dá muita importância", desvaloriza.
Da aventura histórica à ficção científica, o objectivo agora é usar "heróis, vilões, temas e estilos artísticos autenticamente árabes, para chamar a atenção dos jovens do mundo inteiro, com um toque médio-oriental".
Depois da banda desenhada e dos filmes de animação, as etapas seguintes serão as dos jogos de vídeo, onde haverá "muitos guerreiros árabes", e do merchandising. A ambição é chegar aos 200 milhões de jovens do mundo árabe, mas não só. "Primeiro conquistamos a Jordânia, depois o resto do Médio Oriente e a seguir o mercado internacional", revela.
E nesta categoria, a dos que lutam por causas nobres, inscreve-se outro super-herói: Abu Khadija, um lendário pugilista Jordano que, desempregado e com os filhos doentes, se dedicou ao boxe para salvar a família. "Inspirei-me no Rocky, de [Silvester] Stalone, embora eu ache, sinceramente, que o meu trabalho é melhor", diverte-se Suleiman.
"Queríamos que fosse uma banda desenhada, mas apresentámos a ideia a alguns produtores, que gostaram dela e sugeriram um filme de animação. Encomendaram o argumento. Acabámos de fazer o primeiro esboço. Ainda precisa de alguns retoques. Talvez esteja tudo pronto no Verão, e depois vamos testar se as pessoas gostam."
Suleiman está entusiasmado com a perspectiva de vir a produzir "o primeiro filme de animação árabe". Lamenta que "os americanos tenham maltratado Aladino - um estereótipo tão diferente da história real" - e que os japoneses tenham transformado Sindbad, o marinheiro, "de uma figura comovente num tipo estupido". Mas não é Aladino e Sindbad que lhe interessam. "Isso é mitologia árabe antiga e já ninguém lhes dá muita importância", desvaloriza.
Da aventura histórica à ficção científica, o objectivo agora é usar "heróis, vilões, temas e estilos artísticos autenticamente árabes, para chamar a atenção dos jovens do mundo inteiro, com um toque médio-oriental".
Depois da banda desenhada e dos filmes de animação, as etapas seguintes serão as dos jogos de vídeo, onde haverá "muitos guerreiros árabes", e do merchandising. A ambição é chegar aos 200 milhões de jovens do mundo árabe, mas não só. "Primeiro conquistamos a Jordânia, depois o resto do Médio Oriente e a seguir o mercado internacional", revela.
- PARCEIROS ESTRATÉGICOS
Para que todos estes sonhos se tornem realidade, Suleiman Bakhit precisa de parceiros estratégicos. Dois deles são o King Abdullah Fund for Development (KAFD) e a Aramex Internacional, companhia de transportes e logística, com clientes em mais de 240 países.
Ter como patrono uma instituição ligada à monarquia Jordana não limita o processo criativo? "Oh, não, não, de maneira nenhuma!", assegura o dono da Aranim. "Dão-nos toda a liberdade." A isso não será alheio o facto de Suleiman garantir que não tenciona passar mensagens políticas: "No Médio Oriente tudo o que fazemos é interpretado como política, mas a minha mensagem é cultural".
Os tempos mais difíceis já passaram. Foi quando ele regressou à pátria e ficou a saber que o seu pai, Marouf Bakhit, havia sido designado primeiro-ministro pelo rei. Alguns investidores ofereceram-se para financiar uma Disneylândia árabe, mas estavam mais interessados em obter favores políticos do que em injectar capital. Surgiram conflitos de interesses e as poupanças pessoais rapidamente se esgotaram.
"Felizmente que o meu pai já não chefia o Governo, só é membro do Parlamento e mais ligado aos militares", ri-se Suleiman. "Agora, ninguém mais interfere na minha criação. Em 2009 esperamos ser uma empresa lucrativa. Somos cinco a trabalhar a tempo inteiro. Eu e a minha equipa internacional. Com o início do ano escolar, em Setembro, e o lançamento de novos produtos, 2008 será o ano do tudo ou nada. Ajudou muito o artigo [de quase uma página] que o Financial Times publicou sobre mim. Há mais gente interessada em investir."
E se não der certo? "Não tenciono desistir", jura. "Em criança, um dos meus shows de animação favoritos era japonês. Chamava-se Grendizer. Divertia-me e encorajava-me a imaginar coisas que podiam realizar-se. Também gostava de histórias de trabalho em grupo, de amizade, onde ninguém desistia mesmo que houvesse dificuldades."
Ter como patrono uma instituição ligada à monarquia Jordana não limita o processo criativo? "Oh, não, não, de maneira nenhuma!", assegura o dono da Aranim. "Dão-nos toda a liberdade." A isso não será alheio o facto de Suleiman garantir que não tenciona passar mensagens políticas: "No Médio Oriente tudo o que fazemos é interpretado como política, mas a minha mensagem é cultural".
Os tempos mais difíceis já passaram. Foi quando ele regressou à pátria e ficou a saber que o seu pai, Marouf Bakhit, havia sido designado primeiro-ministro pelo rei. Alguns investidores ofereceram-se para financiar uma Disneylândia árabe, mas estavam mais interessados em obter favores políticos do que em injectar capital. Surgiram conflitos de interesses e as poupanças pessoais rapidamente se esgotaram.
"Felizmente que o meu pai já não chefia o Governo, só é membro do Parlamento e mais ligado aos militares", ri-se Suleiman. "Agora, ninguém mais interfere na minha criação. Em 2009 esperamos ser uma empresa lucrativa. Somos cinco a trabalhar a tempo inteiro. Eu e a minha equipa internacional. Com o início do ano escolar, em Setembro, e o lançamento de novos produtos, 2008 será o ano do tudo ou nada. Ajudou muito o artigo [de quase uma página] que o Financial Times publicou sobre mim. Há mais gente interessada em investir."
E se não der certo? "Não tenciono desistir", jura. "Em criança, um dos meus shows de animação favoritos era japonês. Chamava-se Grendizer. Divertia-me e encorajava-me a imaginar coisas que podiam realizar-se. Também gostava de histórias de trabalho em grupo, de amizade, onde ninguém desistia mesmo que houvesse dificuldades."
- EDUARDO É A MÃO DIREITA DE SULEIMAN

- Os super-heróis árabes criados pelo Jordano da Aranim devem muito à arte de um brasileiro!
Não foram as raparigas nuas, de corpos tatuados, seios proeminentes, cabelos cor de carvão e de fogo desenhadas pelo brasileiro Eduardo Francisco (E.F.) que seduziram o Jordano Suleiman Bakhit. "Gostei da sua flexibilidade, da sua atitude, do seu espírito de equipa", disse ao P2 o fundador de Aranim, explicando por que contratou o artista de São Paulo para o seu projecto. "Ambos partilhamos uma visão."
Edu, como Suleiman carinhosamente trata o amigo que só conhece pela Internet, explica-se por e-mail: "Algumas destas pinups que eu desenho são criações para a minha galeria e outros pedidos de clientes ocidentais, que demandam estas características para as heroínas (não só nas histórias de quadrinhos, mas cinema, TV, etc.). Não tem relação nenhuma com o que faço para o público do Oriente Médio, na Aranim".
Victory, por exemplo, é uma sensualíssima guerreira, personagem central do que E.F. descreve como "a primeira HQ [história aos quadradinhos] brasileira totalmente produzida no Brasil" e publicada numa mini-série em quatro partes pela Image Comics, a terceira maior editora do género nos Estados Unidos. Aqui, Edu, também esta a ilustrar um novo projecto chamado Executive Assistant: Iris do norte americano Davi Wohl, que a editora Aspen Comics deverá publicar no início de 2009, além de colaborar em diversos estúdios e editoras estrangeiras e nacionais. No Brasil mantém a sua parceria de sucesso com o argumentista Marcelo Cassaro, que participa igualmente em Aranim (juntamente com outra brasileira, a designer Gislene Matsui e Petra Leão).
Foi há quase dois anos que E.F., de 27 anos e a desenhar desde os 17, recebeu um e-mail de Bakhit com uma proposta de trabalho. Hoje, desenha a maioria dos álbuns, posters e capas de estúdio, além de rever os trabalhos dos colaboradores.
Todas as obras começam no gabinete de Suleiman em Amã. O fundador da Aranim "escolhe ou cria um conceito baseado nas histórias epicas ou contos da mitologia árabe", explica E.F. "A seguir, ele entra em contacto com Marcelo Cassaro, que desenvolve o conceito em forma de história aos quadradinhos. Quando o processo das letras está devidamente revisto e em comum acordo, chega a minha etapa de trabalho: com o roteiro [argumento] em mãos, geralmente planeio a página num esboço de tamanho bem pequeno (thumbnails). Eu gosto de fazer assim porque este tamanho permite visualizar todo o layout numa batida de olhos e poupa-me tempo nas correcções. Depois, digitalizo-os, envio para o editor e, logo que aprovado, faço o lapis e a arte final de cada página."
A última fase é "hospedar o arquivo em alta resolução (para impressão) no folder da empresa, onde é armazenado todo o arquivo".
Edu reconhece que o seu conhecimento do mundo árabe se resumia ao que via nos "noticiários sensacionalistas". Com Suleiman, passou a identificar-se "com o conceito de super-herói do Oriente (místico e mitológico) mais do que com os heróis ocidentais". Porque, "no Oriente, as personagens dos contos são, na grande maioria, pessoas comuns que apresentam fraquezas humanas e que no dia-a-dia as tentam superar, alcançando grandes feitos".
"Eu gosto de quase todos os estilos de desenhos e não me comprometo apenas com um", salienta Edu, admitindo que o seu trabalho, também admirado no Japão e na Europa, se foi desenvolvendo sob a influência do Mangá e do Comics americano. "Acho divertido experimentar o que cada um tem de melhor e tentar mesclar isso no papel. Alguns chamam este estilo de "híbrido", derivado de vários, o mais popular do mercado".
Copyright Jornal | Público - 2008.

- A COMIC-BOOK HERO FOR THE ARAB WORLD

May.6.2008 - by Tobias Buck -
- Suleiman Bakhits dream of becoming the Walt Disney of the Arab world began in a Minnesota classroom full of American first-grade students
The young Jordanian student was there in January 2002 to talk about Arabs and Muslims. He wanted to explain to these children that the men behind the attacks on New York and Washington four months earlier were a radical fringe, that their atrocities should not stoke fears of the wider Arab world. We, Mr. Bakhit was trying to say, are not so different from you.
Then one of the boys asked: Do you have Arab superheroes? Is there an Arab Superman? And it hit me. There are none. So I asked myself what would an Arab superhero look like? Mr. Bakhit recalls. Slowly, I started sketching and thinking. I taught myself how to draw.
In 2005, Mr. Bakhit returned to Jordan. He had studied human resource development in the US, a rare qualification in the Arab world, and job offers poured in. But the question raised by the little boy in Minnesota had not gone away.
Over the next three years, Mr. Bakhit not only honed his drawing skills, but he also developed his first story, a tale about a gang of Arab children in the year 2050. He became increasingly convinced there was not only a market for his stories and characters but that there was a real hunger among young Arabs for indigenous content and for home-grown superheroes who would speak to their aspirations and talk in their language.
It got to the point where I either got started or not. It was time to put up or shut up, Mr Bakhit says. So in 2005 he used $50,000 some of which was from his personal savings and some from an outside investor to set up Aranim Media Factory, the first comic book publisher in Jordan and one of only three in the Arab world.
Mr. Bakhits business style, too, is visibly out of the ordinary. He never wears a suit and tie; his office is littered with DVDs, plastic toys and a bewildering array of exercise machinery; and he rides a big, gleaming motorbike.
The company is housed on two floors of an unassuming building in Amman, Jordan. The first thing that catches a visitors eye is graffiti proclaiming The Impossible Dream. Inside, there are huge prints depicting the varied and rapidly growing cast of heroes, villains and lovable rogues that populate Aranims comic universe.
There are Mansaf and Ozi, two Jordanians whose single-minded pursuit of the countrys national dishes (which the heroes are named after) plunges them into trouble. There is the square-jawed Jordanian fighter pilot, a real-life figure who died in a legendary battle with the Israeli air force.
And there is the group of spiky-haired kids (see left) who wake up in the year 2050 only to discover that both oil and grown-ups have disappeared for good, setting the stage for a futuristic voyage of discovery.
They, and many more, are the brainchildren of Mr. Bakhit. He sketches their figures and draws up the storylines before handing the colouring and detail work to a team of artists located around the world. He keeps five employees in Jordan, but most of the work is done by freelance comic artists in countries from Brazil to Japan (see box).
The choice of characters and plots must give Arab readers heroes and stories they can identify with, he says. There is no media right now that reflects our aspirations and dreams, or that is simply targeted towards entertaining us. We are hungry for content. There is a lack of indigenous content, and a lack of content that is tailored towards the young.
As a boy, Mr. Bakhit used to devour comics from the US and Japan. But, he says, there was always one problem with imported superheroes: I was a big fan of Superman and Batman. But I could never see myself in them. We dont like our heroes to wear their underwear on the outside. The whole Spandex thing just doesnt resonate in our culture.
Although the offices of Aranim an amalgamation of Arab and animation seem chaotic, the company is working according to a well-ordered business plan.
Then one of the boys asked: Do you have Arab superheroes? Is there an Arab Superman? And it hit me. There are none. So I asked myself what would an Arab superhero look like? Mr. Bakhit recalls. Slowly, I started sketching and thinking. I taught myself how to draw.
In 2005, Mr. Bakhit returned to Jordan. He had studied human resource development in the US, a rare qualification in the Arab world, and job offers poured in. But the question raised by the little boy in Minnesota had not gone away.
Over the next three years, Mr. Bakhit not only honed his drawing skills, but he also developed his first story, a tale about a gang of Arab children in the year 2050. He became increasingly convinced there was not only a market for his stories and characters but that there was a real hunger among young Arabs for indigenous content and for home-grown superheroes who would speak to their aspirations and talk in their language.
It got to the point where I either got started or not. It was time to put up or shut up, Mr Bakhit says. So in 2005 he used $50,000 some of which was from his personal savings and some from an outside investor to set up Aranim Media Factory, the first comic book publisher in Jordan and one of only three in the Arab world.
Mr. Bakhits business style, too, is visibly out of the ordinary. He never wears a suit and tie; his office is littered with DVDs, plastic toys and a bewildering array of exercise machinery; and he rides a big, gleaming motorbike.
The company is housed on two floors of an unassuming building in Amman, Jordan. The first thing that catches a visitors eye is graffiti proclaiming The Impossible Dream. Inside, there are huge prints depicting the varied and rapidly growing cast of heroes, villains and lovable rogues that populate Aranims comic universe.
There are Mansaf and Ozi, two Jordanians whose single-minded pursuit of the countrys national dishes (which the heroes are named after) plunges them into trouble. There is the square-jawed Jordanian fighter pilot, a real-life figure who died in a legendary battle with the Israeli air force.
And there is the group of spiky-haired kids (see left) who wake up in the year 2050 only to discover that both oil and grown-ups have disappeared for good, setting the stage for a futuristic voyage of discovery.
They, and many more, are the brainchildren of Mr. Bakhit. He sketches their figures and draws up the storylines before handing the colouring and detail work to a team of artists located around the world. He keeps five employees in Jordan, but most of the work is done by freelance comic artists in countries from Brazil to Japan (see box).
The choice of characters and plots must give Arab readers heroes and stories they can identify with, he says. There is no media right now that reflects our aspirations and dreams, or that is simply targeted towards entertaining us. We are hungry for content. There is a lack of indigenous content, and a lack of content that is tailored towards the young.
As a boy, Mr. Bakhit used to devour comics from the US and Japan. But, he says, there was always one problem with imported superheroes: I was a big fan of Superman and Batman. But I could never see myself in them. We dont like our heroes to wear their underwear on the outside. The whole Spandex thing just doesnt resonate in our culture.
Although the offices of Aranim an amalgamation of Arab and animation seem chaotic, the company is working according to a well-ordered business plan.
- Global production methods matched with guerrilla art tactics
There is virtually no tradition of comic books in the Arab world, explains Suleiman Bakhit. Until a few years ago, the only cartoons that were available came from the US and Japan, and even those failed to win a wider audience.
This meant that among the biggest challenges for Aranim Media Factory was finding artists able to turn Mr. Bakhits sketches into the finished article. He quickly realized, however, that he would have to look beyond Amman, the Jordanian capital where his company is based, to find the right talent. One of my first artists was a guy from Brazil, Eduardo Francisco! he recalls. I was browsing the net and saw his work, so I sent him an e-mail and asked whether he could work for me.
Since then, he has added collaborators in Britain, Germany, Japan and China to his stable. We agree a monthly rate, they e-mail their work and then I wire them the money, Mr. Bakhit says. The speed and flexibility of the process, he says with a laugh, is akin to guerrilla warfare.
This summer, Mr. Bakhit, plans to bring all his artists to Jordan for the first time, not least to share their expertise and skills with the budding cartoon talent of Amman.
Funding is secure, Mr. Bakhit says, thanks to grants by the King Abdullah Development Fund, and he expects Aranim to become seriously profitable in the next two to three years after an upfront investment of $2m-$3m dollars.
We have to take it bit by bit. For the next two years, my goal is to establish the intellectual property and the brand, says Mr. Bakhit. At some point you reach the tipping point when people really start loving your characters and thats when you start capitalizing on that through licensing, merchandising and other sales.
His plan is to win as wide an audience as possible for his characters, including by distributing teasers of Aranims comic books for free. The first big launch is scheduled for the middle of this year, when Aranim will publish three of its comic books at the same time.
Mr. Bakhit plans to focus on the Jordanian market for the time being, but he believes many of Aranims stories will also resonate in other Arab countries, and possibly even in the west.
However, given the regions low spending power and what he says is a traditional reluctance to spending money on books, let alone comics, Mr. Bakhit believes that he cannot rely on direct sales alone to turn a profit.
Instead, he is banking on revenue from merchandising, advertising and spin-offs, such as computer games based on Aranim characters. One such game is already in the works, as is the first line of plastic toys featuring his creations. The prototype a fearsome Arab warrior on horseback glowers from a shelf next to his desk. He is also working on an animated television series, production of which is set to be completed in 2010.
While profits are important to the 29-year-old, Mr. Bakhit says that his real ambition goes far beyond making money: I want to become the Walt Disney of the Arab world the guy who created all these great characters and gave so many kids hope.
I love what I do. Even if I dont get rich, I will be fulfilled.
This meant that among the biggest challenges for Aranim Media Factory was finding artists able to turn Mr. Bakhits sketches into the finished article. He quickly realized, however, that he would have to look beyond Amman, the Jordanian capital where his company is based, to find the right talent. One of my first artists was a guy from Brazil, Eduardo Francisco! he recalls. I was browsing the net and saw his work, so I sent him an e-mail and asked whether he could work for me.
Since then, he has added collaborators in Britain, Germany, Japan and China to his stable. We agree a monthly rate, they e-mail their work and then I wire them the money, Mr. Bakhit says. The speed and flexibility of the process, he says with a laugh, is akin to guerrilla warfare.
This summer, Mr. Bakhit, plans to bring all his artists to Jordan for the first time, not least to share their expertise and skills with the budding cartoon talent of Amman.
Funding is secure, Mr. Bakhit says, thanks to grants by the King Abdullah Development Fund, and he expects Aranim to become seriously profitable in the next two to three years after an upfront investment of $2m-$3m dollars.
We have to take it bit by bit. For the next two years, my goal is to establish the intellectual property and the brand, says Mr. Bakhit. At some point you reach the tipping point when people really start loving your characters and thats when you start capitalizing on that through licensing, merchandising and other sales.
His plan is to win as wide an audience as possible for his characters, including by distributing teasers of Aranims comic books for free. The first big launch is scheduled for the middle of this year, when Aranim will publish three of its comic books at the same time.
Mr. Bakhit plans to focus on the Jordanian market for the time being, but he believes many of Aranims stories will also resonate in other Arab countries, and possibly even in the west.
However, given the regions low spending power and what he says is a traditional reluctance to spending money on books, let alone comics, Mr. Bakhit believes that he cannot rely on direct sales alone to turn a profit.
Instead, he is banking on revenue from merchandising, advertising and spin-offs, such as computer games based on Aranim characters. One such game is already in the works, as is the first line of plastic toys featuring his creations. The prototype a fearsome Arab warrior on horseback glowers from a shelf next to his desk. He is also working on an animated television series, production of which is set to be completed in 2010.
While profits are important to the 29-year-old, Mr. Bakhit says that his real ambition goes far beyond making money: I want to become the Walt Disney of the Arab world the guy who created all these great characters and gave so many kids hope.
I love what I do. Even if I dont get rich, I will be fulfilled.
Devious Comments
Acho que esse projeto possa dar uma outra visão para as crianças e os adolecentes do oriente médio que já nasceram no meio dos conflitos.
Muito bom saber que você ta envolvido nisso, parabéns cara!!!
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-!Katena!-
"Do you Yahoo?"
Parabéns pelos seus trabalhos cara. Admiro muito os seus desenhos, espero um dia poder ser tão foda quanto vc! haha
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When I'm stuck with the PAGE that's WHITE and lonely
I just stick out my PENCIL and PEN and say, ohhh
The GOOD ART will come out, tomorrow
So you gotta hang on 'til tomorrow
Come what may...
:'D
I'd love to upload some of the pictures we've drawn for Suleiman like the picture in your journal.
Sei que não pode divulgar informações ainda, mas não custa nada perguntar: Planos pra tentar publicar isso por aqui em Terra Brasilis?
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Blog: [link]
"Parte da diversão de estar vivo é saber que você está irritando alguém" - Matt Groening
"A grande mágoa da minha vida é nunca ter feito quadrinhos" - Pablo Picasso
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Let no one rob you of that powerful motivational force known as vision...seeing not only what is...but what can be.
To sabendo, to sabendo! Desculpa os desencontros nos chats, bro. estamos conectando em horas distintas... Temos que por o papo em dia!
Se ya! E parabéns (vc ja sabe
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